Santos Calderón, Juan Manuel

Bogotá (Colômbia), 1951

Jornalista e economista, presidente da Colômbia.

Filho de Enrique Santos Castillo e Clemencia Calderón Nieto, pertence a uma família de políticos e empresários da comunicação. Seu tio-avô, Eduardo Santos, foi presidente da Colômbia entre 1938 e 1942. Seu primo, Francisco Santos, foi vice-presidente no governo de Álvaro Uribe, e seu pai, Enrique Santos Castillo, chefiou a redação do El Tiempo, maior jornal diário do país, por quase sessenta anos.

Formou-se em Economia e Administração de Empresas pela Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, ampliou seus estudos na Universidade de Harvard (EUA) e na London School of Economics (Reino Unido), recebendo os títulos de mestre em Economia e Desenvolvimento Econômico e em Administração Pública. Iniciou a vida profissional representando por nove anos a Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia na Organização Internacional do Café, em Londres, e depois assumiu a subdiretoria do jornal El Tiempo.

Ingressou na política pelo Partido Liberal Colombiano. Foi ministro do Comércio Exterior no governo de César Gaviria e ministro da Fazenda no governo Andrés Pastrana Arango. Ajudou a fundar o “Partido la U” (Partido Social de Unidade Nacional) e liderou as candidaturas de sua legenda ao Senado e à Câmara, o que lhe deu cacife para pleitear e receber a indicação para o cargo de ministro da Defesa do governo Uribe.

À frente do ministério, coordenou as investidas militares mais bem-sucedidas no combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Em sua gestão registrou-se a morte de comandantes guerrilheiros importantes, como Negro Acacio, Raúl Reys e Martín Caballero, e a libertação de reféns como a senadora Íngrid Betancourt, três cidadãos norte-americanos e onze policiais colombianos. Também foi descoberto o escândalo dos “falsos positivos” – civis assassinados pelo Exército, cujos corpos eram contabilizados como baixas em enfrentamentos com a guerrilha. Graças à diretiva 29 da Política de Segurança Democrática instituída pelo ministro da Defesa, Camilo Ospina, que antecedeu Santos, os militares envolvidos nessas operações eram recompensados com promoções, férias e cursos no exterior.

Em sua primeira eleição para presidente em 2010, Santos venceu com apoio do então presidente Álvaro Uribe e da direita colombiana. Conquistou 68,9% dos votos no segundo turno contra Antanas Mockus, do Partido Verde. Em 2014, foi reeleito com propostas mais próximas à vertente esquerdista e com o compromisso de prosseguir com as negociações de paz com as guerrilhas. Uribe rompeu com Santos logo no primeiro mandato deste, por discordar da maneira como seu sucessor negociava com as FARC e também por causa da política de restituição de terras.

O grande objetivo de Santos em seu primeiro mandato foi apaziguar o país. Um acordo de paz começou a ser costurado com as FARC, e foi isso, em grande parte, o que proporcionou a reeleição de Santos. Os eleitores tinham a esperança de que o acordo avançasse ao dar mais um mandato ao presidente. Até 2015, governo e guerrilha tinham acordado o seguinte: as FARC passariam a ter representação política por meio de um partido; o governo colocaria em marcha uma reforma agrária; os guerrilheiros se comprometeram a dar fim ao cultivo de drogas; e seria instituída uma comissão da verdade para apurar os crimes e abusos cometidos de parte a parte durante o conflito.

Em dezembro de 2014, as FARC declararam um cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado e pediram que a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Frente Ampla pela Paz monitorassem as negociações com o governo.

Além de buscar um fim ao conflito com as guerrilhas, Santos vem investindo em programas sociais com o objetivo de melhorar as condições de vida da população em condições de extrema pobreza. O modelo envolve parcerias com o setor privado e alianças com fundações e organizações da sociedade civil, por meio do Plano de Prosperidade Nacional. O programa Família em Ação, por exemplo, atende cerca de 2,8 milhões de famílias, beneficiando aproximadamente cinco milhões de crianças. O investimento em habitação popular e saneamento cresceu cerca de 200% em relação a governos anteriores, ficando acima até mesmo das metas traçadas por Santos. Dados da CEPAL divulgados em 2015 mostram que a Colômbia ficou em terceiro lugar no ranking dos países de América Latina e Caribe que mais diminuíram a pobreza.

Divorciado de Silvia Amaya Londoño, Santos casou-se com Maria Clemencia Rodríguez Munera em 1987, com quem tem três filhos. É autor dos livros A terceira via: uma alternativa para a Colômbia (1999) e Jaque al Terror: los años horribles de las Farc (2009).