Portinari, Candido

Portinari, Candido

Brodósqui, 1903 - Rio de Janeiro (Brasil), 1962

Nascido em uma fazenda de café, no interior do Estado de São Paulo, segundo de uma família de doze filhos de imigrantes italianos pobres, desde cedo Candido Portinari se interessou por arte. Deixou uma obra que revela a saga, a tragédia e a força dos trabalhadores brasileiros. Estudou na Escola Nacional de Belas-Artes (ENBA), no Rio de Janeiro, entre 1919 e 1921. Em 1923, recebeu seus primeiros prêmios nas exposições da ENBA. Em 1924, pintou o quadro Baile na roça, marco da arte social no Brasil, que, entretanto, foi recusado pelo júri da ENBA. Em 1928, recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, da exposição Geral de Belas-Artes, com o Retrato do poeta Olegário Mariano, que o levou à Europa.

Sua primeira exposição individual aconteceu em 1929, no Palace Hotel do Rio de Janeiro. Viveu algum tempo em Paris, onde conheceu sua esposa Maria Victoria Martinelli. Em 1931, voltou ao Brasil e, em 1934, pintou a tela Despejados. Um ano depois recebeu a segunda Menção Honrosa no Carnegie International ­Exhibition, de Pittsburgh (EUA), com a tela Café. Entre 1935 e 1939, lecionou na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e nessa cidade executou afrescos para o edifício do Ministério da Educação e Saúde, retratando as diferentes atividades do trabalhador rural brasileiro.

Em 1939, Portinari criou três grandes painéis para o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. No mesmo ano, o Museu de Arte Moderna de Nova York adquiriu sua tela Morro do Rio, a única obra de um artista sul-americano a figurar na exposição dos maiores quadros dos séculos XIX e XX. Em 1940, participou de uma exposição coletiva de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e de outras duas, individuais, no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, intitulada Portinari of Brazil. Em 1942, realizou um mural para a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, mesmo ano em que conheceu a Guernica, de Picasso, que lhe causou grande impacto.

Tentou a vida política em 1945, candidatando-se a deputado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas não foi eleito. No mesmo ano iniciou o polêmico mural São Francisco se despojando das vestes para o altar da Igreja da Pampulha, na cidade de Belo Horizonte. Em 1946, realizou a primeira exposição em Paris, na Galeria Charpentier, e, em seguida, foi condecorado com a Legião de Honra da França. Entre 1948 e 1949, viveu exilado no Uruguai, após as tensões que se seguiram à cassação do PCB. Após sua participação na Bienal de Veneza, em 1950, seguiram-se diversas exposições na Europa. Em 1951, recebeu uma sala especial na I Bienal de São Paulo. Em 1952, realizou o painel A chegada da família real portuguesa à Bahia, para o Banco do Estado da Bahia.

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A tela Retirantes, de 1944, acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand São Paulo, no Brasil (Reprodução/MASP)
Em 1954, elaborou, por encomenda do Banco Português do Brasil, o painel Descobrimento do Brasil. Nesse mesmo ano, teve os primeiros sintomas de intoxicação por exposição à tinta. Em 1955, recebeu a Medalha de Ouro de melhor pintor do ano, concedida pelo International Fine Arts Council de Nova York, e também uma sala especial na III Bienal de São Paulo. À época, foi duramente criticado pelos defensores do abstracionismo, então em franca ascensão no Brasil. Em 1956, expôs em Israel. No ano seguinte foi instalado na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, seu mural mais famoso, Guerra e paz. Em 1956, começou a escrever suas memórias, que resultaram no livro Retalhos de minha infância.

Em 1957, realizou exposições em Paris e Munique e, em 1958, participou da exposição “50 Anos de Arte Moderna”, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, na qual sua tela Enterro na rede, pertencente à série Retirantes, foi escolhida como uma das cem obras-primas do século. Nesse mesmo ano recebeu uma sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México e, no ano seguinte, a V Bienal de São Paulo apresentou uma retrospectiva de suas obras.

Proibido de usar tintas por ordem médica, viajou a Paris, onde escreveu poemas, mas logo voltou a pintar. Em 1961, sua saúde piorou, levando-o à morte no ano seguinte, enquanto preparava uma grande exposição encomendada pela Prefeitura de Milão.